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Estoura a Primeira Guerra Mundial. Padre Pio é convocado. Troca a batina pela farda de soldado. E parte.
Dado a seu físico franzino e a sua incompetência no manuseio das armas e demais atividades de um recruta, aliada a uma comovente humildade e extrema boa vontade, seus superiores resolveram lhe dar tarefas mais simples. Assim sendo, Padre Pio foi faxineiro, substituto de quem faltasse, uma espécie de pau para toda obra.
Não era isso que aborrecia Padre Pio, na sua permanência no quartel. Aceitava e oferecia tudo em união ao Cristo Crucificado.
Era um ambiente promíscuo da caserna, o palavreado e as blasfêmias dos companheiros,que violentavam o jovem Franciscano, tornando extremamente penoso permanecer naquele ambiente.
Todavia Deus, em sua sabedoria, muitas vezes desconcertante para nós,mortais,permitia que Padre Pio passasse por tudo isso, afim de fazê-lo tomar conhecimento do pecado e dos pecadores pessoalmente, e não só através de livros e tratados.Mais parecia um curso intensivo de horror ao pecado e caridade para com os pecadores.
Decorridos algum tempo, Padre Pio foi transferido para o Hospital da Santíssima Trindade, em Nápoles, onde era obrigado a executar os serviços mais abjetos.
Percebia-se novamente a ação sábia de Deus, no preparo e aperfeiçoamento do jovem Capuchinho, fazendo-o conhecer de perto todo tipo de trabalho e lidar com a miséria humana, presenciando e procurando aliviar o sofrimento físico dos doentes e dos feridos de guerra.
Padre Pio sofria até com a vestimenta que lhe era imposta: uniformes sempre muito maiores do que seu tipo franzino requeria lhe dificultavam os movimentos, nos trabalhos pesados que executava.
Esforçava-se em cumprir seus deveres com a presteza e a perfeição que lhes permitiam as mãos permanentemente doloridas,em conseqüência dos estigmas invisíveis.
Invisíveis para todos,menos para Deus.
Finalmente,chegou o dia de sua libertação,se bem que através de uma enfermidade: recebeu de seus superiores uma licença para tratamento de saúde,sendo enviado para o convento de Sant’Anna,em Foggia. Ali permaneceu durante sete meses e de lá escrevia ao seu Diretor Espiritual,para dizer-lhe:
“Verdadeira multidão de almas,sedentas de Deus,me solicitam sem descanso!Regozijo-me no Senhor, pois verifico que a fileira de almas eleitas vai sempre aumentando e Jesus é cada vez mais amado!”
Quando seus problemas de saúde não lhe permitiam celebrar a Missa ou receber a Eucaristia, Padre Pio ficava inconsolável:
“Sofro muito por não poder celebrar a Santa Missa e não poder alimentar-me da carne do Divino Cordeiro”, escrevia.
Dia 28 de julho de 1916, Padre Pio chegava ao Convento Capuchinho de Santa Maria das Graças, na cidade de San Giovanni Rotondo, para onde havia sido transferido.
O único acesso à pequena cidade só podia ser feito em lombo de burro ou a pé,por uma poeirenta estrada de terra.
O Convento era um prédio de dois andares,em continuação à igrejinha( “La Chiesetta”) tosca e primitiva,cuja porta principal nem fica no meio da fachada, mas que lá está até hoje, cuidadosamente conservada e aberta à visitação dos peregrinos,por ter sido ali que Padre Pio celebrou muitas missas e onde ainda se encontra o seu confessionário.
Era ali que, em nome de Deus e como representante de Jesus,perdoava os pecados,durante o sacramento da reconciliação. Absolvendo e convertendo multidões,obtinha do Senhor, através de sua poderosa intercessão, verdadeira chuva de graças sobre seus penitentes.
Em San Giovanni Rotondo,Padre Pio passou 51 anos de sua vida, sem sair para lugar algum, exceto por uma única vez, quando foi a Roma, assistir á tomada de hábito de sua irmã Graziella, na Congregação de Santa Brígida.
Seu primeiro ano no Convento Capuchinho de Santa Maria das Graças foi uma vida de oração e de total obscurantismo.

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